A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta quarta-feira (25) que a condenação dos responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes representa um passo significativo na trajetória por Justiça iniciada em 2018.
A declaração ocorreu após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar, por unanimidade, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados pelo Ministério Público como mandantes do crime ocorrido no Rio de Janeiro.
Segundo a ministra, o momento não deve ser tratado como celebração, mas como o reconhecimento da resistência da família, de movimentos sociais e de setores da sociedade que mantiveram o caso em evidência ao longo de quase oito anos.
“Não existe comemoração. Justiça plena seria Marielle estar viva. O que temos hoje é o reconhecimento de uma luta que nunca foi abandonada”, declarou Anielle Franco.
Ela destacou que os votos apresentados pelos ministros abordaram aspectos centrais do caso, como violência política, racismo estrutural e questões de gênero, elementos associados à atuação política da vereadora assassinada.
Durante o julgamento, os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes. Dino ressaltou falhas graves nas etapas iniciais da investigação, enquanto Cármen Lúcia afirmou que decisões firmes são fundamentais para evitar que crimes semelhantes voltem a ocorrer.
Detalhes das condenações
Além da condenação dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão como mandantes do crime, o STF também responsabilizou outros envolvidos na ação criminosa.
O major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado pelos homicídios de Marielle Franco e Anderson Gomes e pela tentativa de assassinato da assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado.
O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi condenado por obstrução de Justiça e corrupção passiva. Segundo entendimento do Supremo, não houve participação direta dele na execução dos homicídios, mas ficou comprovada a atuação para dificultar o esclarecimento do caso.
Já o policial militar e ex-assessor parlamentar Robson Calixto Fonseca foi condenado por integrar organização criminosa ligada ao planejamento do atentado.
Família relata alívio após decisão
Após o julgamento, familiares de Marielle Franco e a esposa do motorista Anderson Gomes conversaram com a imprensa e classificaram a decisão como um momento de alívio após anos de espera.
O pai da vereadora, Antônio Francisco Silva, afirmou que o período desde o crime foi marcado por angústia e incertezas, mas destacou que a condenação representa uma resposta importante da Justiça brasileira.
Marinete Silva, mãe de Marielle, afirmou que o sentimento predominante é de dignidade diante da decisão judicial.
“Saímos daqui de cabeça erguida. Nada foi em vão. Hoje temos uma resposta”, declarou.
A filha da parlamentar, Luyara Franco, relatou o forte impacto emocional durante o julgamento. Ela e a avó chegaram a passar mal ao acompanhar a sessão, relembrando o longo período de espera por Justiça.
A viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus, afirmou que a decisão reforça a confiança nas instituições democráticas e na responsabilização dos envolvidos.
Cronologia do caso
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro. As investigações apontaram motivação política relacionada à atuação da vereadora contra interesses ligados a milícias e loteamentos irregulares na Zona Oeste da capital.
A Procuradoria-Geral da República denunciou os irmãos Brazão como mandantes do atentado, além de outros participantes envolvidos no planejamento e execução da ação criminosa.
Em junho de 2024, o STF aceitou a denúncia e tornou os acusados réus. Após a fase de produção de provas e depoimentos, realizada entre 2024 e 2025, o julgamento foi iniciado em 2026, culminando nas condenações anunciadas nesta semana.
A decisão do Supremo Tribunal Federal é considerada um marco judicial em um dos casos mais emblemáticos da história recente do país, que mobilizou debates nacionais e internacionais sobre violência política, direitos humanos e proteção à democracia.
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