Moradores do bairro Operário, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, ficaram sem acesso à internet após criminosos cortarem cabos de operadoras de telecomunicações na quinta-feira (19). Segundo a Polícia Militar, a ação teve como objetivo forçar a população a contratar um serviço clandestino controlado por integrantes do tráfico.
A interrupção afetou aproximadamente 600 famílias e trouxe prejuízos imediatos. Sem conexão, moradores relataram dificuldades para trabalhar remotamente, participar de aulas online e acessar serviços digitais essenciais, como aplicativos bancários e atendimentos públicos.
Operação policial identifica suspeitos
Após denúncias, equipes da Polícia Militar realizaram uma operação na região e prenderam quatro suspeitos envolvidos na ação criminosa. Entre eles estão dois jovens de 18 anos e dois adolescentes, de 16 e 17 anos.
Durante as buscas em um imóvel utilizado pelo grupo, os policiais apreenderam 22 pedras de crack, mais de 60 porções de maconha embaladas para venda, dinheiro em espécie, materiais para fracionamento de drogas e seis aparelhos celulares. Parte dos entorpecentes foi localizada com auxílio de um cão farejador.
Os dois maiores foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e encaminhados ao sistema prisional. Já os adolescentes responderão por ato infracional e foram liberados após assinatura de boletim circunstanciado, mediante compromisso dos responsáveis legais junto ao Ministério Público.
Ligação com facção criminosa
As investigações indicam que os envolvidos fazem parte da facção conhecida como “Tropa do Urso”, associada ao Comando Vermelho (CV).
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, durante a operação um dos suspeitos realizou uma chamada de vídeo com um homem identificado como Hugo Henrique dos Santos, conhecido como “HG”.
De acordo com a PM, o homem estaria escondido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e possui seis mandados de prisão em aberto, sendo cinco por homicídio e um por tráfico de drogas.
Ainda conforme a corporação, o suspeito teria feito ameaças a policiais envolvidos na operação, afirmando saber onde agentes e familiares residiam.
Setor alerta para avanço do crime nas telecomunicações
Em nota, a Conexis Brasil Digital, entidade que representa empresas de telecomunicações, afirmou que situações semelhantes têm ocorrido em diferentes regiões do país, dificultando o acesso técnico das operadoras para manutenção e instalação de equipamentos.
Segundo a entidade, o bloqueio imposto por organizações criminosas compromete a qualidade do serviço e coloca em risco trabalhadores do setor. O grupo defende ações coordenadas entre autoridades federais, estaduais e municipais para garantir a oferta segura de serviços essenciais de telecomunicações.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil, e o policiamento foi reforçado no bairro Operário para evitar novas ações criminosa
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