A Mocidade Unida da Glória (MUG) levou ao Sambão do Povo um desfile marcado por emoção, reflexão e forte apelo ambiental. Com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, a escola apresentou ao público a trajetória da princesa e cientista Teresa da Baviera, que esteve no Espírito Santo em 1888 catalogando espécies e registrando a biodiversidade local.
Desenvolvido pelo carnavalesco Petterson Alves, o tema transformou os registros da obra “Viagem ao Espírito Santo – 1888” em uma narrativa sensível, revelando um estado exuberante, diverso e cheio de vida.
Segundo o carnavalesco, a proposta foi usar o carnaval como ferramenta de consciência coletiva e reflexão sobre o futuro do planeta.
“Qual será o verde do nosso futuro se, no presente, não cuidarmos e não amarmos a natureza como Teresa ensinou?”, destacou.
Desfile grandioso e simbólico
Com cerca de 1.300 componentes distribuídos em 20 alas, a escola apostou na coesão estética e no impacto visual. Fantasias luxuosas, com pedrarias, plumas e efeitos especiais, reforçaram o protagonismo da MUG entre as candidatas ao título.
O canto forte dos integrantes embalou a avenida, enquanto o grito “Canta meu Leão e força meu Leão” ecoava durante todo o percurso.
A Comissão de Frente abriu o desfile com uma encenação sensível: 14 bailarinos vestidos de araras-vermelhas simbolizaram comunicação e conexão com a natureza. No centro da apresentação, Teresa da Baviera surgia como uma observadora atenta da floresta.
Elegância e tradição na avenida
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Hudson Maia e Letícia Malaquias, conduziu o pavilhão com leveza e precisão. Com a fantasia “Verde Voa – Festa dos Papagaios”, representaram o acolhimento da floresta à cientista viajante.
A Ala das Baianas, com o tema “Encantos Submersos das Águas Doces”, trouxe as guardiãs dos rios em uma passagem marcada pela serenidade. Já a musa Juliana Kroebel Ribeiro, em “Serpenteando em Verde Esmeralda”, representou a serpente protetora dos mistérios da mata.
O abre-alas, “A Terra Inexplorada – O Verde que Ainda Sonha”, impressionou com um cenário tropical formado por troncos, raízes e palmeiras monumentais, além de espelhos d’água que refletiam a vida da floresta.
Povos originários e identidade cultural
Um dos momentos mais aplaudidos foi a ala “O Botocudo – Raiz Viva da Floresta”, que destacou os povos originários como protagonistas do território. A apresentação valorizou saberes ancestrais e a conexão profunda com a natureza.
O segundo carro alegórico, “Relicário Indígena”, aprofundou esse encontro ao exibir cestarias, cerâmicas, grafismos e pinturas corporais como símbolos de identidade e proteção. Na alegoria, Teresa aparecia acolhida pela tribo — já não como estrangeira, mas como alguém disposta a aprender.
Ritmo que fez o Sambão pulsar
A bateria Pura Ousadia, com 175 integrantes sob o comando do mestre Lucas Massariol, conduziu o desfile com o tema “Sinfonia de um Sonho Verde”. O arranjo apostou em contrastes rítmicos, alternando momentos misteriosos e acelerados.
À frente do grupo, a rainha Layla Bastos desfilou com energia e forte conexão com o ritmo, ampliando o impacto do setor.
Um final marcado por memória e legado
A última alegoria apresentou o retorno de Teresa à Europa, com malas repletas de registros e simbolismos da expedição. A composição sugeriu que, mais do que descobertas científicas, a viajante levou consigo uma parte da floresta e um compromisso com sua preservação.
Ao cruzar a linha final, a MUG foi aplaudida pelo público, que reconheceu a força do conjunto apresentado. Com poesia, consciência e delicadeza, a escola reafirmou o carnaval como espaço de cultura e educação — deixando um desfile que promete permanecer na memória do Carnaval de Vitória 2026.
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