O desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da Doença de Alzheimer a partir do veneno de vespas é o foco da pesquisa coordenada pela professora Luana Cristina Camargo, da Universidade de Brasília (UnB). Ex-bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a cientista investiga compostos bioinspirados que podem representar avanços no enfrentamento da doença neurodegenerativa.
Luana é bacharel em Ciências Biológicas pela UnB, com período sanduíche na Universidade Drexel, nos Estados Unidos, onde foi bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras, da Capes/MEC. Também pela UnB, concluiu o mestrado em Ciências da Saúde. O doutorado em Biologia foi realizado no Instituto de Pesquisa de Jülich, ligado à Universidade de Düsseldorf, na Alemanha.
A pesquisa com veneno de vespas teve início ainda no mestrado e avançou durante o pós-doutorado, novamente com apoio da Capes. Atualmente, como professora da UnB, Luana coordena linhas de pesquisa voltadas ao desenvolvimento de fármacos para a Doença de Alzheimer.
Entre os principais objetos de estudo está a octovespina, um peptídeo bioinspirado da peçonha da vespa Polybia occidentalis. O composto apresentou capacidade de inibir a agregação da β-amiloide, proteína associada ao desenvolvimento do Alzheimer. Em testes pré-clínicos, o peptídeo mostrou melhora nos déficits cognitivos induzidos pela β-amiloide em modelos animais quando administrado diretamente no cérebro.
Os pesquisadores também investigam alternativas menos invasivas de administração, como a via intranasal, além do desenvolvimento de nanoformulações que facilitem a entrega do medicamento ao sistema nervoso central. Em parceria com o Instituto de Física da UnB, análises por bioinformática buscam identificar outros possíveis alvos farmacológicos da octovespina.
Segundo a pesquisadora, os estudos podem trazer impactos relevantes para a sociedade, como a redução de custos do tratamento da Doença de Alzheimer no Sistema Único de Saúde (SUS), a valorização da biodiversidade brasileira e a disseminação de informações sobre prevenção e fatores de risco da doença.
A trajetória acadêmica de Luana contou com apoio contínuo da Capes/MEC, incluindo bolsas na graduação, no programa Ciência Sem Fronteiras, e no pós-doutorado, em 2023. Nesse período, ela desenvolveu novos peptídeos com propriedades farmacocinéticas mais favoráveis, em parceria com instituições brasileiras e internacionais.
Além disso, a pesquisadora iniciou o desenvolvimento de um modelo de barreira hematoencefálica com células humanas imortalizadas, com o objetivo de reduzir o uso de animais em pesquisa e acelerar o desenvolvimento de fármacos que atuam no cérebro. Projetos aprovados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) já resultaram em novos compostos promissores, atualmente em fase de estudos não clínicos.
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