O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou na última segunda-feira (26) uma solução imediata e efetiva para o vazamento de água registrado na mina Viga, da Vale, localizada no município de Congonhas, na região Central de Minas Gerais. A cobrança foi feita por meio de um ofício enviado à Agência Nacional de Mineração (ANM).
De acordo com a prefeitura de Congonhas, apesar de não haver registro de vítimas, o extravasamento provocou danos ambientais ao atingir o Rio Maranhão. No documento encaminhado à ANM, o ministro destacou a necessidade de adoção de medidas rigorosas, incluindo a possibilidade de interdição da operação, caso seja necessário para garantir a segurança das comunidades locais e a preservação ambiental.
Silveira também determinou a abertura de um processo para apurar responsabilidades e acionou órgãos federais, estaduais e municipais para fiscalização e eventual aplicação de penalidades à empresa.
Este é o segundo ofício enviado pelo ministro à ANM em menos de 48 horas. No domingo (25), foi registrado outro extravasamento de água com sedimentos na cava da mina de Fábrica, também pertencente à Vale, localizada entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas. O material ultrapassou o dique Freitas, carregando sedimentos e rejeitos da mineração, o que também resultou em impactos ambientais.
Segundo a prefeitura de Congonhas, aproximadamente 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e resíduos do beneficiamento mineral, vazaram no local. Já a prefeitura de Ouro Preto informou que o episódio ocorreu em área rural, distante do centro histórico e com baixa densidade populacional.
Ainda conforme a administração municipal de Ouro Preto, o extravasamento atingiu áreas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), provocando alagamentos em instalações da unidade Pires. A CSN informou que foram afetados o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e a área de embarque.
O caso envolvendo a mina de Fábrica está sendo investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Em nota, o órgão informou que acompanha a ocorrência e já solicitou informações às Defesas Civis estadual e municipais de Congonhas e Ouro Preto. Uma equipe do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim) esteve no local e elabora um relatório preliminar.
Em comunicado ao mercado, a Vale afirmou que os extravasamentos registrados nas minas de Congonhas e Ouro Preto foram contidos. Segundo a empresa, não houve feridos nem impacto direto às comunidades do entorno.
A companhia também ressaltou que os episódios não têm relação com barragens da região, que permanecem estáveis e sob monitoramento contínuo. A Vale afirmou ainda que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos, e que realiza inspeções e manutenções periódicas, especialmente durante o período chuvoso. As causas dos vazamentos seguem em apuração.
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