Criado a partir de uma brincadeira de carnaval como resposta ao preconceito, o bloco Sai, Hétero nasceu em 4 de março de 2018 e se consolidou como um dos principais símbolos de diversidade do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Hoje, o projeto ultrapassa os limites da folia e se tornou uma iniciativa cultural reconhecida internacionalmente.
“Hoje, ele é um projeto cultural consolidado no carnaval do Rio e recebe mensagens de pessoas de várias partes do mundo, que se programam para participar do desfile”, afirma o fundador e presidente do bloco, Victor Ribeiro.
O primeiro “esquenta” oficial do Sai, Hétero para o carnaval 2026 será realizado no dia 24 de janeiro, na Marina da Glória, dentro do Parque do Flamengo. Com fantasia livre, o evento reunirá artistas e convidados e terá temática voltada à comunidade LGBTQIA+. Já o desfile principal está marcado para o dia 17 de fevereiro, em local ainda a ser definido, fora da programação oficial do carnaval de rua da prefeitura, por razões de segurança.
Os eventos do bloco costumam ocorrer na região central da cidade e atraem entre 10 mil e 20 mil pessoas, com estrutura que inclui camarotes, open bar, atrações musicais e a bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca.
Divinas Tretas amplia ações sociais no carnaval
Outro destaque do carnaval 2026 é o bloco Divinas Tretas, integrante do ecossistema cultural Carnabendita. Surgido em 2022 a partir da reformulação do antigo bloco Toco-Xona — o primeiro bloco LGBTQIA+ do Rio, criado em 2007 —, o Divinas Tretas aposta na diversidade musical e na cidadania.
O desfile, marcado para o dia 15 de fevereiro, na Praia do Flamengo, contará com uma ação inédita de requalificação e retificação de prenome e gênero para pessoas trans e não-binárias em situação de vulnerabilidade. Além disso, haverá espaço reservado, segurança reforçada, intérprete de Libras, sanitários inclusivos e campanhas de combate à violência contra a mulher.
Segundo a diretora do Carnabendita, Natália Guimarães, o objetivo é transformar o carnaval em um instrumento de justiça social. O bloco também priorizará a contratação de profissionais LGBTQIA+, trans e não-binários.
Enxota Que Eu Vou celebra 15 anos com carnaval plural
O bloco Enxota Que Eu Vou, criado em 2010 por universitários da UFRJ, não se define como exclusivamente LGBTQIA+, mas defende um carnaval plural e diverso. Conhecido por valorizar sambas-enredo clássicos, o bloco comemora 15 anos em 2026.
A concentração será no dia 17 de fevereiro, a partir das 13h, na Praça Tiradentes, com início do desfile às 15h. O público estimado varia entre mil e duas mil pessoas. O tema do carnaval será justamente a celebração da trajetória do bloco.
Banda das Quengas completa 35 anos de resistência
Uma das bandas carnavalescas LGBTQIA+ mais tradicionais do Rio, a Banda das Quengas completa 35 anos em 2026. A comemoração acontece no dia 17 de fevereiro, na Lapa, com concentração a partir das 15h e apresentações até as 22h.
Devido ao grande público — que já chegou a 47 mil pessoas —, a banda se apresenta de forma parada. O tema segue o mesmo dos últimos anos: “Aceitem ou nos respeitem”. A fantasia é livre, reforçando o caráter inclusivo do evento.
Sereias da Guanabara une diversidade e sustentabilidade
O bloco Sereias da Guanabara, que celebra nove anos, desfila no dia 17 de fevereiro, no Aterro do Flamengo. Com foco em sustentabilidade, acessibilidade e diversidade, o bloco é conhecido pelas fantasias inspiradas na fauna marinha e pelo incentivo ao uso de materiais reciclados.
Premiado com o Selo Verde de sustentabilidade, o Sereias promove ações de conscientização ambiental durante todo o desfile, reforçando a importância da preservação da Baía de Guanabara e do uso responsável dos espaços públicos.
Aberto a pessoas de todos os gêneros, o bloco se consolidou como um símbolo de resistência, inclusão e respeito no carnaval carioca.
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