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Cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de autismo, aponta estudo

Levantamento com base no Censo 2022 indica prevalência de 0,86% de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais no Brasil.

redação Por redação
04/01/2026 - 13:15
em Saúde
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Estudo baseado no Censo 2022 aponta que cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de autismo, destacando desafios no diagnóstico e nas políticas públicas.

Imagem:Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cerca de 300 mil idosos brasileiros vivem com algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com base em dados do Censo Demográfico de 2022.

A pesquisa aponta que a prevalência autodeclarada de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais é de 0,86%, o que corresponde a aproximadamente 306.836 indivíduos. A taxa é ligeiramente maior entre os homens (0,94%) do que entre as mulheres (0,81%).

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de TEA. Embora o transtorno seja geralmente diagnosticado na infância, trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo da vida. No entanto, o reconhecimento do autismo em adultos mais velhos ainda é limitado, tanto em relação ao diagnóstico quanto ao acesso a terapias e cuidados adequados.

Para a pesquisadora Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, do PPGCS da PUCPR, os dados reforçam a necessidade de atenção específica nas políticas públicas de saúde. “Do ponto de vista das políticas públicas, esses números mostram a importância de desenvolver estratégias voltadas à identificação e ao apoio de adultos mais velhos com TEA. A prevalência tem crescido, mas a produção científica ainda é escassa quando se trata do autismo no envelhecimento”, afirmou.

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Segundo a especialista, pessoas idosas no espectro tendem a apresentar menor expectativa de vida e maior prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão. Também há maior risco de declínio cognitivo e de condições clínicas, como doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.

“Dificuldades na comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez comportamental podem dificultar o acesso dessa população aos serviços de saúde. Conhecer a prevalência do TEA entre idosos é o primeiro passo para compreender suas necessidades e subsidiar políticas públicas específicas”, explicou.

Diagnóstico tardio

A identificação do TEA em pessoas idosas ainda enfrenta diversos obstáculos. De acordo com a pesquisadora, manifestações como isolamento social, inflexibilidade, comportamentos rígidos e interesses restritos podem ser confundidas com sintomas de ansiedade, depressão ou até demência.

Além disso, a escassez de profissionais capacitados e as mudanças nos critérios diagnósticos ao longo dos anos dificultam o reconhecimento do transtorno nessa faixa etária. Apesar disso, o diagnóstico tardio pode ter impacto positivo.

“O diagnóstico costuma ser recebido com alívio, pois ajuda o idoso a compreender dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida, promovendo maior autocompreensão e aceitação”, concluiu a especialista.

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Tags: #Autismo#envelhecimento#neurodiversidade#SaúdeDoIdoso#SaúdePública#TEAidosos
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