As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro desde meados de dezembro têm sobrecarregado a rede de urgência e emergência. Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) mostra que as 27 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da rede estadual contabilizaram 2.624 atendimentos relacionados a sintomas de exposição excessiva ao calor entre os dias 14 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026.
Diante do cenário persistente de calor extremo, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde encaminhou um alerta aos 92 municípios fluminenses. O maior volume diário de atendimentos ocorreu em 26 de dezembro, quando 193 pessoas buscaram atendimento médico nas UPAs. Outros picos foram registrados em 21 de dezembro (192), 16 de dezembro (188), 30 de dezembro (180) e 31 de dezembro (134).
Segundo a SES-RJ, as unidades estaduais mantêm pontos públicos de hidratação ao longo de todo o ano, medida considerada fundamental para reduzir casos de desidratação e insolação. A orientação é que os pacientes levem soro de hidratação oral para casa após o primeiro atendimento, especialmente em períodos de calor intenso.
De acordo com a secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, há aumento comprovado da frequência de problemas cardiovasculares durante ondas de calor. Por isso, o cuidado deve ser redobrado com grupos mais vulneráveis, como idosos e crianças.
A Secretaria de Saúde também orientou as equipes a reforçarem a classificação de risco, com atenção a sintomas como dor de cabeça, tontura, náuseas, pele quente e seca, pulso acelerado, temperatura corporal elevada, confusão mental, taquicardia e sinais de desidratação. Em casos suspeitos, a recomendação é iniciar imediatamente a hidratação oral.
Trabalhadores expostos ao sol por longos períodos, como ambulantes, pedreiros, motoristas de ônibus e porteiros, também estão entre os grupos que exigem atenção especial.
O levantamento aponta ainda as unidades com maior demanda no período analisado. A UPA Botafogo liderou o ranking, com 152 atendimentos, seguida pelas UPAs Fonseca e Realengo, ambas com 147 casos. Na sequência aparecem as UPAs Ricardo de Albuquerque (143), Irajá (140) e Campo Grande (136).
Completam a lista das dez unidades mais demandadas as UPAs Copacabana (121), Marechal Hermes e Tijuca (120 cada) e Campos dos Goytacazes (118). Juntas, essas dez unidades concentraram 1.344 atendimentos, mais da metade do total registrado no estado.
Entre os sintomas mais frequentes relatados pelos pacientes estão náuseas (1.608 registros), dor de cabeça (1.555) e temperatura corporal elevada (1.441 ocorrências).
Os dados integram o Monitora RJ, plataforma que reúne painéis de vigilância em saúde e conta com um sistema específico para o acompanhamento de ondas de calor. Nos últimos dias, o painel classificou a situação do Rio de Janeiro e de outras cidades do estado como nível severo de calor.
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