O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil está conseguindo reverter o impacto das fake news e da desinformação sobre vacinas, com reflexo direto no aumento da cobertura vacinal em todo o país. A declaração foi dada em entrevista ao Bom Dia, Ministro, nesta segunda-feira (15).
Segundo Padilha, a mudança de cenário é resultado da retomada das campanhas nacionais de vacinação, de parcerias com escolas, da exigência de cadernetas atualizadas em programas sociais, do fortalecimento da ciência e da atuação conjunta com estados e municípios.
“Muita gente acaba acreditando nessas mentiras, mas estamos vencendo essa batalha. Desde 2023, todo ano tem subido a cobertura vacinal. Em todas as 16 vacinas do calendário obrigatório, estamos tendo cobertura maior em 2025 do que em 2024”, afirmou o ministro.
Padilha explicou que o governo também tem atuado no campo jurídico para conter a disseminação de informações falsas que colocam a saúde pública em risco.
“São pessoas espalhando mentiras e, infelizmente, até ganhando dinheiro com isso. O Ministério da Saúde, inclusive com a Advocacia-Geral da União, entrou com ações judiciais, inclusive questionando médicos que venderam cursos e ‘detox de vacina’, espalhando desinformação”, alertou.
Vacina nacional contra a dengue
Durante a entrevista, Padilha celebrou a aprovação pela Anvisa da nova vacina contra a dengue, desenvolvida integralmente no Brasil pelo Instituto Butantan, com apoio do Ministério da Saúde e financiamento do BNDES.
“Ganhamos uma segunda arma importante. Quem tomou a vacina, mais de 70% não tiveram sintomas de dengue e mais de 90% não apresentaram casos graves. É uma grande conquista”, destacou.
O ministro reforçou, no entanto, que a vacinação não substitui as ações de prevenção contra o mosquito transmissor da doença.
“Mais de 80% dos criadouros do mosquito estão dentro das casas. Se fizermos o trabalho diário de prevenção, conseguimos reduzir os casos, como aconteceu este ano, com queda de 75% em relação a 2024. A vacina aumenta a capacidade de controle, mas não elimina a necessidade dos cuidados”, explicou.
Vacinação infantil e campanhas nas escolas
Outro ponto destacado foi o reforço da vacinação de crianças e adolescentes. Padilha fez um apelo direto a pais e responsáveis.
“Não neguem aos filhos esse direito. Hoje a caderneta de vacinação está no celular, pelo SUS Digital. O sistema avisa se está faltando vacina ou se já está na hora de tomar”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda as facilidades oferecidas pelo SUS Digital, como a possibilidade de vacinação nas escolas mediante autorização dos responsáveis.
“Só nas escolas, mais de 1,2 milhão de crianças e adolescentes se vacinaram este ano. Precisamos consolidar essa grande rede de proteção à vida”, disse.
Campanha contra a bronquiolite
Padilha também falou sobre o início da campanha nacional de vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, doença que lidera internações e mortes entre bebês.
A vacina passou a ser oferecida pelo SUS e é destinada a gestantes a partir da 28ª semana, garantindo proteção ao recém-nascido.
“A vacina da bronquiolite é muito importante. No SUS ela é gratuita. Na rede privada, chega a custar entre R$ 1.500 e R$ 4 mil”, destacou.
O ministro convocou gestantes a procurarem a unidade de saúde.
“Toda gestante a partir da 28ª semana deve se vacinar agora para que o bebê já nasça protegido no inverno. A proteção passa pela placenta e também pelo aleitamento materno”, explicou.
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