A tradição da arte popular das máscaras de carnaval segue viva em Olinda, Pernambuco, por meio do trabalho do artesão Mateus Vitor Santos Vilela, de 27 anos. Ele representa a quarta geração da família responsável pela produção artesanal das famosas máscaras da La Ursa, um dos símbolos mais tradicionais do carnaval pernambucano.
A história começou no final do século 19 com o bisavô Julião Vilela, artesão que dá nome ao Bazar Artístico de Julião das Máscaras, onde as peças continuam sendo produzidas. A tradição passou por seu filho João Dias Vilela, pelo neto João Dias Vilela Filho e chegou ao bisneto Mateus, que hoje divide o ofício com o pai.
Na terceira geração, João Dias Vilela Filho aprendeu a profissão observando o pai trabalhar para sustentar a família. O interesse surgiu ainda na infância, aos 12 anos. Único entre os cinco irmãos a seguir o caminho do artesanato, ele também atuou como professor de artes plásticas em escolas municipais de Olinda, sem nunca abandonar a produção das máscaras.
Produzidas em papel machê, com a mistura de papel e goma de mandioca, as máscaras fazem parte do imaginário do carnaval de Olinda, marcado por troças, maracatus, blocos e pelos tradicionais bonecos gigantes. Entre eles, o mais famoso é o Homem da Meia-Noite, responsável por abrir oficialmente os festejos carnavalescos da cidade.
Agora, essa tradição ultrapassa as fronteiras de Pernambuco. Até o dia 25 de fevereiro de 2026, a arte da família pode ser vista no Rio de Janeiro, na exposição Entre Máscaras e Gigantes: Os Juliões do Carnaval de Olinda, em cartaz no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete. A mostra integra o programa Sala do Artista Popular e reúne mais de 100 peças, além de fotos e vídeos que retratam o processo de criação no ateliê da família.
Para Mateus, a exposição representa reconhecimento e valorização cultural. Ele destaca que as máscaras da La Ursa já alcançaram outros países e hoje vão além do carnaval, aparecendo em decorações, restaurantes, museus e até no cinema. A tradição, segundo ele, segue sendo impulsionada pelo amor ao carnaval e pelo compromisso de preservar um legado transmitido por gerações.
Além das máscaras, a família também produziu, ao longo da história, dezenas de bonecos gigantes, mamulengos e brinquedos de madeira. A produção acontece durante todo o ano, atendendo encomendas variadas e participando de feiras como a Fenearte, em Olinda.
A exposição no Rio apresenta não apenas os objetos, mas também a história e o valor simbólico dessa arte popular. Para a antropóloga Raquel Dias Teixeira, autora do texto do catálogo, as máscaras expressam vínculos de parentesco, território e convivência, perpetuando um saber que une trabalho, brincadeira e invenção na cultura popular pernambucana.
Serviço:
- Exposição Entre Máscaras e Gigantes: Os Juliões do Carnaval de Olinda
- Local: Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179, Rio de Janeiro
- Período: 11 de dezembro de 2025 a 25 de fevereiro de 2026
Visitação:
- Terça a sexta, das 10h às 18h
- Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
- Fechado: 24, 25, 31 de dezembro e 1º de janeiro
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