O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (4), da 6ª reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), no Palácio do Planalto, onde foi apresentada a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024-2034. O documento define as prioridades da política científica brasileira para a próxima década, conectando desenvolvimento, soberania e bem-estar social.
Lula destacou que investir em ciência é investir no Brasil. Para ele, os recursos aplicados em pesquisa retornam diretamente para a população por meio de mais saúde, segurança, empregos e qualidade de vida. “É por meio da ciência que produzimos vacinas, criamos tecnologias para a indústria, geramos produtividade no campo, monitoramos desastres naturais e garantimos cidades mais resilientes”, afirmou.
Avanços nos investimentos
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou que o país vive um período de retomada histórica no setor. “Somente em recuperação e infraestrutura de pesquisa, nesses três anos de governo, são R$ 5,8 bilhões”, afirmou.
Lula também lembrou que o Conselho foi responsável pela criação do primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, hoje em fase de implementação. A ministra informou que o país já tem oito Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) voltados a soluções em IA, indústria, agricultura e saúde, com R$ 6,47 bilhões já executados.
Ciência impulsiona economia
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a ligação direta entre ciência, tecnologia e crescimento econômico. Segundo ele, o PIB cresceu 3,4% no último ano, impulsionado pela indústria de transformação, que teve avanço de 3,8% — com destaque para a indústria de alta tecnologia, que cresceu mais de 6%.
Defesa e tecnologia
O ministro da Defesa, José Múcio, ressaltou a importância da ciência e inovação para a segurança nacional. Segundo ele, tecnologias desenvolvidas no setor militar têm aplicações diretas na vida civil, como inteligência artificial, materiais avançados e computação quântica.
ENCTI 2024-2034
A nova estratégia consolida as recomendações da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que mobilizou mais de 100 mil pessoas em todo o país. Para Lula, a entrega do documento simboliza “mais um marco na reconstrução e fortalecimento da política nacional de ciência, tecnologia e inovação”.
A ENCTI organiza os desafios nacionais em quatro eixos:
- Expansão, consolidação e integração do SNCTI — fortalecimento do sistema nacional, ampliação da capilaridade e liderança global em áreas como agricultura sustentável e energia renovável.
- Inovação empresarial e reindustrialização — apoio à transformação digital, transição energética e ao complexo industrial da saúde e defesa.
- Projetos estratégicos para soberania nacional — redução da dependência em fármacos, minerais críticos, fertilizantes e componentes dos setores espacial e nuclear.
- Desenvolvimento social — ciência aplicada à melhoria da vida cotidiana, com foco em moradia, transporte, segurança alimentar e redução das desigualdades.
Metas e desafios
A estratégia estipula que, até 2034, o Brasil deve investir 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Embora o investimento público atual (0,27%) já se equipare ao dos Estados Unidos proporcionalmente, o investimento privado ainda é baixo (0,60%) quando comparado a países como Israel e Coreia do Sul.
O detalhamento das ações ficará a cargo do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), que definirá cronogramas, metas intermediárias e fontes de financiamento.
A mensagem central do Conselho é clara: a soberania tecnológica será decisiva para o futuro econômico e social do país.
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