A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS), em parceria com a CET-Rio, realizou na última semana uma ação em frente aos Arcos da Lapa para marcar o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. A data, celebrada internacionalmente em 16 de novembro, foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995 para apoiar vítimas e familiares, conscientizar sobre segurança viária e homenagear profissionais que atuam no resgate.
Em 2024, a campanha tem como tema “Talentos perdidos”, destacando o impacto dos acidentes de trânsito — principal causa de morte entre crianças e jovens no mundo — e evidenciando o prejuízo social causado pela perda precoce de vidas.
Segundo a Prefeitura do Rio, entre janeiro e outubro deste ano, 640 pessoas morreram em acidentes nas ruas e rodovias da capital, incluindo atropelamentos e colisões. A zona norte concentrou o maior número de mortes (234), seguida da zona oeste (182). Há mais de uma década, essas regiões lideram os casos de homicídios culposos no trânsito no município. “Até agora, esse total é o sexto maior da série histórica iniciada em 2008. Em todo o ano passado, foram registradas 723 mortes”, informou a SMS.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, destacou que 68% das vítimas fatais eram motociclistas e que os principais fatores dos acidentes incluem excesso de velocidade, avanço de sinal e uso de celular ao volante.
“O carioca precisa ter consciência. Uma atitude imprudente pode tirar uma vida, gerar internação ou sequela permanente”, afirmou.
O impacto na rede pública é significativo: 47 mil pessoas foram atendidas este ano após acidentes de trânsito, e cerca de 6 mil profissionais atuam diariamente no atendimento às vítimas. Soranz ressaltou que 40% das cirurgias ortopédicas realizadas na cidade são em motociclistas, gerando R$ 130 milhões ao ano em custos para o sistema de saúde.
O diretor técnico da CET-Rio, André Drummond Soares de Moura, lembrou que a prefeitura firmou acordos com empresas de aplicativos, como Uber, 99 e iFood, para que dados de condutores sejam compartilhados em casos de direção perigosa — como excesso de velocidade, avanço de sinal, trânsito na contramão ou circulação sobre calçadas.
“O monitoramento dessas plataformas é muito maior que o das câmeras municipais. O objetivo é punir e também educar condutores”, afirmou.
Um estudo do Atlas da Violência 2025 trouxe pela primeira vez dados específicos sobre violência no trânsito. A taxa de mortes voltou a subir no país, atingindo 16,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2023, alta de 2,5% em relação a 2022. No recorte sobre motociclistas, o número cresceu ainda mais, alcançando 6,3 mortes por 100 mil habitantes, um aumento de 12,5% — após três anos de estabilidade.
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