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Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio celebra 30 anos resgatando memória, conquistas e futuro do movimento

Manifestação retorna à Praia de Copacabana no domingo (23) com o tema “30 anos fazendo história”, relembrando a marcha pioneira de 1995 e a trajetória que impulsionou o movimento no Brasil.

redação Por redação
17/11/2025 - 08:45
em Brasil
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A Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio completa 30 anos e volta a Copacabana. Evento celebra a marcha histórica de 1995, marco que impulsionou a mobilização nacional e ajudou a transformar pautas em direitos.

Imagem: Acervo do Grupo Arco Íris/Divulgação

A primeira Parada do Orgulho LGBTI+ do Brasil completa 30 anos em 2025, e a celebração acontece no próximo domingo (23), na Praia de Copacabana, palco da manifestação desde sua estreia em 1995. Com o tema “30 anos fazendo história: das primeiras lutas pelo direito de existir à construção de futuros sustentáveis”, o evento homenageia sua trajetória e reafirma seu papel fundamental na luta por direitos e visibilidade.

As três décadas são contadas a partir da Marcha da Cidadania, realizada em 25 de junho de 1995, ao final da 17ª Conferência Mundial da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (Ilga). A realização do encontro internacional no Rio, articulado pelo movimento LGBTI+ brasileiro, ampliou a visibilidade da comunidade, fortaleceu a articulação nacional e impulsionou a criação de paradas em várias cidades do país.

1995: o marco que mudou a história

O professor da Unifesp e presidente do Grupo de Trabalho Memória e Verdade LGBT, Renan Quinalha, explica que, embora o movimento LGBTI+ já ocupasse as ruas em outras ocasiões, a marcha de 1995 inaugurou um novo formato: um ato público com forte diálogo com a sociedade e uma agenda de reivindicações mais ampla.

O impacto foi imediato. A partir daquela mobilização, o país viu crescer, ano após ano, um movimento que chegaria a reunir milhões de pessoas nos anos 2000, com destaque para a Parada de São Paulo, hoje considerada a maior do mundo.
“Dá para dizer que as paradas são as maiores manifestações democráticas do Brasil”, afirma Quinalha.

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Mas antes do marco histórico de 1995, houve uma tentativa frustrada. Em 1991, ativistas como Adauto Belarmino e o recém-criado Grupo Arco-Íris tentaram organizar uma parada em Copacabana. Menos de 30 pessoas compareceram. O pequeno número levou o grupo a refletir sobre os desafios, sobretudo o medo de exposição pública e o estigma social.

Autoestima, organização e resistência

Com o avanço da luta contra a epidemia de HIV/Aids e o fortalecimento da democracia nos anos 1990, o movimento passou de uma postura defensiva para a construção de uma agenda de cidadania e orgulho. O Grupo Arco-Íris decidiu focar em ações que estimulassem autoestima e pertencimento.

Eventos culturais e encontros sociais passaram a reunir dezenas e depois centenas de pessoas. Um marco foi a cerimônia pública de casamento entre Cláudio Nascimento e Adauto Belarmino, em 1994, além de uma grande tarde de convivência no jardim do MAM, que reuniu cerca de 600 pessoas.

Essa mobilização preparava o terreno para a conferência da Ilga e para a parada histórica. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, o grupo conseguiu apoio de entidades, artistas e movimentos sociais. O cantor Renato Russo tornou-se padrinho da conferência.

A conferência e a primeira parada

Entre 18 e 25 de junho de 1995, a Conferência da Ilga reuniu até 3 mil participantes diários em Copacabana. Os debates antecipavam conquistas que só chegariam anos depois, como o casamento homoafetivo e o reconhecimento da LGBTIfobia como crime.

A parada, realizada ao fim do evento, tornou-se o símbolo que manteria a mobilização viva nos anos seguintes. Um dos elementos mais marcantes era a bandeira arco-íris de 124 metros de comprimento, criada para que todos pudessem segurar e para ganhar destaque na imprensa.

Pertencimento e expansão nacional

A ativista Rosangela Castro, integrante do Arco-Íris na época, recorda que a adesão à parada se deu também por meio de uma ampla divulgação em bares, boates e pontos de encontro da comunidade. O sentimento de pertencimento foi imediato.

Depois da marcha no Rio, Rosangela e o grupo ajudaram a organizar primeiras paradas em outros estados, incluindo a de São Paulo, em 1997. Em 2001, a ativista fundou o Grupo de Mulheres Felipa de Sousa, voltado para lésbicas, bissexuais e, depois, para mulheres negras dessa comunidade.

Histórias de vida que se confundem com a do movimento

Para Jorge Caê Rodrigues, a trajetória do movimento LGBTI+ no Brasil e sua própria vida caminham juntas. Ele e o marido, John MacCarthy, militaram por décadas. A parada de 1995 foi um momento de intensa emoção e marcou definitivamente essa jornada.

John MacCarthy (esquerda), Jorge Caê Rodrigues e Gilza, na Parada LGBTI+ do Rio em 2009 Foto: Jorge Caê Rodrigues.

Após a morte de John, em 2019, Jorge levou tempo para voltar à manifestação. O reencontro aconteceu em 2023, ao lado do novo companheiro, que nunca havia participado de uma parada.
“Foi muito comovente ver que ele entendeu que não estava sozinho. Espero que a parada continue forever and ever”, afirma.

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Tags: #Diversidade#Grupo Arco-Íris#História LGBT Brasil#Ilga#Movimento #LGBT#Orgulho LGBT#Parada LGBTI+
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