Os sucessivos reajustes do salário mínimo acima da inflação têm impulsionado o rendimento médio dos brasileiros. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na última sexta-feira (31) pelo IBGE, a renda média do trabalho cresceu 4% entre janeiro e setembro de 2025, o maior avanço desde o início da série recente.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o piso nacional passou de R$ 1.302,00 em 2023 para R$ 1.518,00 em 2025, acumulando um aumento real de 2,61% neste ano, já descontada a inflação. A valorização do salário mínimo foi retomada em 2023, após cinco anos de estagnação, e segue a política que soma a inflação do ano anterior com o crescimento do PIB de dois anos antes.
Para 2026, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevê que o salário mínimo chegue a R$ 1.630, o que representaria uma alta nominal de 7,37%.
Efeito no mercado de trabalho
O impacto do novo piso é sentido especialmente em setores como serviços, comércio e agricultura, onde boa parte dos trabalhadores recebe remuneração próxima ao mínimo. “O reajuste eleva essas faixas salariais e gera um efeito de extravasamento, beneficiando também quem ganha ligeiramente acima do piso”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE.
Entre julho e setembro, o IBGE observou aumentos reais de salário em diversas categorias:
- 6,5% na agricultura, pecuária, pesca e aquicultura (mais R$ 134);
- 5,5% na construção (mais R$ 145);
- 4,3% em serviços públicos, saúde e educação (mais R$ 199);
- 6,2% em serviços domésticos (mais R$ 79);
- 3,9% em informação, comunicação e atividades financeiras (mais R$ 184).
Mais empregos, mais renda
Além do aumento do piso nacional, o crescimento do emprego formal tem fortalecido a renda média. Desde 2023, o país registra expansão contínua da ocupação com carteira assinada. “Com mais empregos formais, mais trabalhadores têm seus salários vinculados ao mínimo, ampliando o alcance do reajuste e ajudando a reduzir desigualdades”, afirma Adriana.
Atualmente, cerca de 59,9 milhões de pessoas têm rendimento atrelado ao salário mínimo. O reajuste de 2025 deve injetar R$ 81,5 bilhões na economia e gerar R$ 43,9 bilhões em arrecadação tributária sobre o consumo, segundo o Dieese.
Influência na Previdência
A valorização do salário mínimo também reflete na Previdência Social, já que quase 70% dos benefícios pagos pelo INSS são equivalentes ao piso nacional. Assim, os reajustes garantem ganho real a milhões de aposentados e pensionistas.
Apesar de críticas de que a política de valorização poderia elevar gastos públicos, estudos do Dieese apontam que o retorno em arrecadação supera o custo fiscal adicional, estimado em R$ 38,9 bilhões em 2025.
O número de contribuintes do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) também atingiu recorde, chegando a 62,2 milhões de pessoas físicas em 2024 — alta de 7,4% em dez anos. No mesmo período, os benefícios concedidos cresceram 33%, totalizando 6,9 milhões em 2024, o maior volume da série histórica.
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