A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a adoção de uma nova nomenclatura para as linhagens do vírus da dengue, com o objetivo de padronizar estudos e aprimorar o monitoramento global da doença. A mudança, que já vinha sendo debatida por cientistas de diversos países, deve impactar diretamente pesquisas, vigilância epidemiológica e estratégias de prevenção em regiões endêmicas, como o Brasil.
O novo sistema propõe uma classificação mais detalhada abaixo do nível de genótipo, com categorias como “linha principal” e “linha menor”, que permitem acompanhar com maior precisão a evolução e a circulação das variantes do vírus.
A proposta foi desenvolvida por um consórcio internacional de pesquisadores e publicada na revista PLOS Biology, com apoio técnico de grupos vinculados à OMS.
Antes, o vírus da dengue era dividido em quatro sorotipos — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 —, cada um contendo diversos genótipos. O modelo antigo, segundo especialistas, possuía baixa resolução geográfica e epidemiológica, dificultando a análise da diversidade viral e o rastreamento de surtos entre países.
De acordo com o novo padrão, as linhagens passam a ser designadas por siglas como “DENV-3III_C.2”, que indicam o sorotipo, genótipo, linhagem e sublinhagem, facilitando a leitura por pesquisadores e autoridades de saúde pública. A iniciativa segue o modelo de nomenclatura adotado para o SARS-CoV-2 durante a pandemia de Covid-19.
“Essa padronização global vai permitir que os países identifiquem e comparem de forma mais rápida as variantes do vírus em circulação, algo essencial para o controle da dengue e o desenvolvimento de vacinas mais eficazes”, explicou o pesquisador Jeremy Camp, da Universidade de Yale, um dos coordenadores do estudo.
No Brasil, a mudança é vista com interesse por laboratórios de referência e pela vigilância genômica do Ministério da Saúde. O país enfrenta surtos recorrentes de dengue e, em 2025, ultrapassou 5 milhões de casos prováveis, segundo dados oficiais. A nova nomenclatura deve ajudar a rastrear com maior precisão as linhagens predominantes em cada região e antecipar respostas a surtos emergentes.
A OMS e os centros de pesquisa ligados ao Cetic.br e à Fiocruz avaliam a integração gradual do sistema às bases de dados nacionais. Embora ainda esteja em fase de transição, a padronização é considerada um avanço importante para a ciência e a saúde pública global.
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