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Após enchentes, escolas do Rio Grande do Sul adotam planos de contingência para enfrentar desastres climáticos

Mais de um ano depois das enchentes históricas, oito escolas gaúchas ainda não voltaram às sedes e o estado implementa medidas para preparar alunos e comunidades para novos eventos extremos.

redação Por redação
22/10/2025 - 12:35
em Cidade
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Após as enchentes de 2024, o Rio Grande do Sul reconstrói escolas e cria planos de contingência para preparar alunos e comunidades contra novos desastres climáticos.

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Mais de um ano após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o estado segue empenhado em reconstruir escolas e torná-las mais resilientes a desastres climáticos. Segundo a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, oito escolas e a sede da própria secretaria ainda não retornaram aos prédios originais.

A reconstrução, segundo Raquel, vai além da restauração física: trata-se de preparar toda a comunidade escolar para lidar com situações extremas, como tempestades, alagamentos e calor intenso, que têm se tornado cada vez mais frequentes na região.

Em parceria com o Banco Mundial, o governo mapeou 730 escolas em risco de destruição, sendo 87 consideradas mais vulneráveis. Essas unidades já iniciaram um plano piloto de contingência, que inclui protocolos de segurança e estratégias pedagógicas para evitar a interrupção prolongada das aulas.

“Não sabemos quando virá o próximo evento extremo, mas precisamos estar preparados emocional, mental e cientificamente. O Japão aprendeu a conviver com tsunamis, a Califórnia com terremotos, e o Rio Grande do Sul está aprendendo a lidar com suas próprias condições climáticas”, destacou Raquel Teixeira, durante o II Fórum Internacional de Sustentabilidade e Educação, promovido pela Fundação Santillana e pela OEI.

Planos de contingência e participação da comunidade

As enchentes de 2024 deixaram 478 dos 497 municípios gaúchos sob impacto direto, afetando 2,4 milhões de pessoas, com 184 mortes e 25 desaparecidos. Diante da tragédia, o estado criou planos de contingência personalizados para cada escola, elaborados com a participação de professores, alunos e famílias.

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“As escolas ficaram de sete a 52 dias sem aula. Isso exigiu respostas pedagógicas diferentes. Com os planos, queremos evitar novas quebras no aprendizado”, explicou a secretária.

Os planos funcionam como guias de ação que orientam o que fazer antes, durante e depois de uma emergência. Eles levam em conta a localização da escola, rotas de fuga e medidas de segurança específicas.

Um exemplo de inovação é o Ginásio Resiliente, estrutura multifuncional que serve tanto para a prática esportiva quanto como abrigo emergencial, permitindo a continuidade das aulas mesmo em situações de crise.

Educação e sustentabilidade global

A experiência gaúcha foi apresentada em Valência, na Espanha, onde comunidades também enfrentaram tempestades severas em 2024. O arquiteto espanhol José Picó, fundador do estúdio Espacios Maestros, relatou o processo de reconstrução de escolas com foco em sustentabilidade e participação comunitária.

“As famílias participaram da reconstrução. São elas que sabem quais são seus problemas e necessidades”, contou Picó, destacando que os novos projetos priorizam integração com a natureza, uso de energias renováveis e bem-estar coletivo.

Segundo o arquiteto, a transformação dos espaços escolares precisa ir além da estrutura física:

“A escola deve cuidar da educação dos espaços internos e externos, promovendo a biodiversidade e o compromisso com o planeta.”

Prêmio Escolas Sustentáveis reconhece boas práticas

O evento também anunciou os vencedores da etapa internacional do Prêmio Escolas Sustentáveis, promovido pela Santillana, OEI e Fundação Santillana.

A vencedora foi a Institución Educativa Comercial de Envigado, da Colômbia, com o projeto Metodologia de Pesquisa Socioambiental GCA, que orienta comunidades escolares a gerirem projetos ambientais e sociais.

No Brasil, as finalistas foram:

  • Escola Estadual Brasil (Limeira-SP), com o projeto AquaTerraAlert, que criou um sistema de alerta precoce para inundações e deslizamentos;
  • Creche Municipal Magdalena Arce Daou (Manaus-AM), com o projeto IncluARTE – SustentART, que combina arte, inclusão e sustentabilidade em territórios degradados.

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