As ruas de Belém (PA) amanheceram no último domingo (12) tomadas por fé, cores e emoção na celebração dos 233 anos do Círio de Nazaré, considerada a maior procissão do mundo. A manifestação de devoção popular reuniu cerca de 2,5 milhões de pessoas, transformando a capital paraense em um santuário a céu aberto que atrai devotos de todo o Brasil e do exterior.
Com 5 horas de duração, a imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré chegou à Praça Santuário no final da manhã, após percorrer 3,6 km entre a Catedral Metropolitana de Belém e a Basílica Santuário — erguida no local onde a imagem original foi encontrada em 1700 pelo caboclo Plácido José de Souza. O trajeto atravessou o Centro Histórico e passou por cartões-postais como o Ver-o-Peso e a Estação das Docas.
“O Círio é o coração do povo paraense pulsando em comunhão. Ele movimenta não apenas a fé, mas também a economia, o turismo e a cultura. E, neste ano, reforça uma mensagem de cuidado com a nossa casa comum: a Amazônia”, destacou o ministro do Turismo, Celso Sabino.
Transmissão internacional
Pela primeira vez, o Círio de Nazaré foi transmitido ao vivo para mais de 140 países, em parceria entre o Ministério do Turismo, a TV Brasil Internacional e o canal GovBR, com cobertura simultânea no YouTube do MTur. Milhões de pessoas acompanharam a passagem da Berlinda e os tradicionais carros de promessas.
“Com esta transmissão, o Brasil mostra ao mundo a força da fé, da cultura e do turismo religioso. É uma oportunidade de divulgar Belém e toda a Amazônia como destinos de espiritualidade e sustentabilidade”, afirmou Celso Sabino.
Fé com inclusão
A Arquibancada do Círio, montada na Avenida Presidente Vargas, simbolizou o compromisso com a acessibilidade. Com 3.500 lugares, o espaço contou com áreas reservadas para idosos, gestantes e pessoas com deficiência, rampas de acesso e equipe de apoio.
A estrutura foi resultado de parceria entre a Arquidiocese de Belém, o Governo do Estado, a Prefeitura de Belém e o Ministério do Turismo, reforçando o compromisso federal com um turismo inclusivo e acessível.
“O apoio ao Círio representa o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao turismo religioso e o compromisso com o desenvolvimento sustentável e inclusivo do Brasil”, afirmou Ana Carla Lopes, secretária-executiva do MTur.
Sustentabilidade e fé
A edição de 2025 também destacou o compromisso ambiental com o projeto EcoCírio, criado em 2016 pela Diretoria da Festa de Nazaré (DFN). A iniciativa promoveu coleta seletiva e descarte consciente ao longo do percurso, com a participação de centenas de voluntários e catadores, garantindo destinação correta dos resíduos e geração de renda.
“O primeiro desafio é conscientizar os participantes — de vendedores a fiéis — para que o lixo seja separado corretamente”, explicou Sérgio Reis, diretor-secretário da DFN.
Para Maria do Socorro Ribeiro, presidente da Cooperativa de Catadores da Coleta Seletiva de Belém (ACCSB), a ação é um gesto de fé:
“Participar do Círio com esse propósito é um ato de gratidão. A gente cuida da cidade e retribui o que Nossa Senhora faz por nós”.
História e devoção
A origem do Círio de Nazaré remonta ao ano de 1700, com o achado da imagem da santa às margens de um igarapé. Entre os símbolos da procissão estão a Berlinda, a Corda de 400 metros, os 14 carros de promessas e os milhares de fiéis que caminham descalços em sinal de agradecimento.
Em 2014, o Círio foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, consolidando-se como uma das maiores manifestações de fé do planeta.
Turismo religioso em expansão
O Círio é o ápice do turismo religioso brasileiro, segmento que movimenta R$ 15 bilhões por ano e impulsiona o desenvolvimento regional. Além de Belém, romarias como Nossa Senhora Aparecida (SP) e Juazeiro do Norte (CE) fortalecem o Brasil como um dos países com maior potencial global no turismo de fé.
O Plano Nacional de Turismo 2024–2027 considera o setor estratégico para a geração de empregos e renda, com ações voltadas à estruturação de rotas religiosas, capacitação profissional e divulgação internacional dos destinos de peregrinação.
“O turismo religioso é uma força que une o Brasil. É fé que gera oportunidades, movimenta cidades e reforça nossa identidade como um país acolhedor, solidário e cheio de esperança”, concluiu o ministro Celso Sabino.
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