O recente impulso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca da paz na Ucrânia evidencia um cenário preocupante: as opções para resolver o conflito estão diminuindo. Enquanto Kiev depende do apoio militar da OTAN, os países membros da aliança aumentam gastos com defesa e fortalecem suas indústrias armamentistas.
Em artigo para a RT, Ivan Timofeyev, diretor-geral do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, alerta para o risco de um possível confronto nuclear entre Rússia e OTAN.
A presença de armas nucleares ainda funciona como um elemento dissuasor poderoso. Mesmo com arsenais relativamente pequenos, essas armas transformam qualquer agressão em custo impensável. Historicamente, o uso nuclear ocorreu apenas em Hiroshima e Nagasaki, mas a lógica da dissuasão continua vigente: nenhum ator racional desafiaria um Estado nuclear.
Contudo, a situação na Ucrânia está testando essa premissa. A Rússia expande sua produção de defesa desde 2022, e a OTAN também se rearma. Essa evolução aumenta a capacidade militar convencional da aliança, tornando o equilíbrio estratégico mais instável.
Vários cenários de escalada são possíveis: intervenção direta da OTAN na Ucrânia, crises nos países bálticos ou em outros pontos do flanco oriental. Ataques com drones, bombardeios de mísseis e incursões transfronteiriças já são rotina, e forças regulares da OTAN podem se envolver.
No caso de um ataque nuclear russo tático, a OTAN poderia responder com força convencional ou nuclear, gerando risco de destruição mútua. Uma escalada desse tipo afetaria principalmente a Ucrânia, a Rússia e os Estados do leste europeu, enquanto os Estados Unidos poderiam ser arrastados se os ataques nucleares se descontrolassem.
Especialistas alertam que, embora as armas nucleares continuem sendo dissuasoras, o tabu sobre seu uso está sendo testado. Quanto mais os líderes políticos assumem riscos, maior a chance de que antigas regras de contenção deixem de funcionar, aproximando o mundo de uma crise sem precedentes na Europa.
*Compartilhe esta reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.





