O advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima, conhecido como Juca, afirmou nesta quarta-feira (3) que o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, corre o risco de ser condenado a morrer na prisão com base em uma “delação premiada mentirosa” do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.
Segundo a defesa, Mauro Cid apresentou 15 versões diferentes dos fatos investigados e teria feito acusações sob coação, após passar quatro meses preso. Entre elas, a de que recebeu uma sacola de vinho recheada de dinheiro para financiar ações golpistas — informação que só teria surgido 15 meses após o início de seus depoimentos.
“É razoável imaginar que um delator demore 15 meses para trazer este fato ao Ministério Público? É um escândalo!”, declarou Juca em sustentação oral na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O advogado classificou Cid como “irresponsável” e “artista de péssima qualidade” e argumentou que não há provas materiais para sustentar a acusação contra Braga Netto. Ele destacou que as supostas despesas relacionadas à trama golpista foram pagas com cartão de crédito, e não com dinheiro em espécie, como relatado pelo delator.
Para Juca, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou apenas um discurso “sem provas” em suas alegações finais. “Não se pode condenar alguém com base em narrativas, mas em provas”, reforçou.
O julgamento faz parte do processo que pode condenar Jair Bolsonaro e sete aliados por tentativa de golpe após a derrota eleitoral de 2022. Estão previstas oito sessões de análise do caso, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.
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